se ele chegar lá e encontrá-la fugindo em meio à mata, irá perseguí-la.
se cansar de perseguir, é por que não teve força necessária e terá de encontrar um si mesmo que o carregue por aquelas trilhas que deverá criar pois ainda não existirão.
se um dia encontrar a si mesmo por ali, rolarão os dois irmãos - um só rolar pela meio escondida mata das plantas pedras raízes espinhos.
se a vontade de encontrá-la pedir, dirão um ao outro “vai você por aqui, eu vou por ali. Até mais, boa sorte”.
se derem toda a volta sem sucesso de achá-la, irão se abraçar pois em qualquer ilha existe a saudade do continente que é uma esperança um pouco maior de encontrar a liberdade: ninfeta sem juízo.
sábado, 30 de janeiro de 2010
Das celebrações
Nos aniversários da Cidade Paixão, a tradição manda que, das oito da manhã às seis da tarde, todos os cidadãos fiquem em pé e próximos, não necessariamente encostados ou apoiados, mas também não mais distantes do da frente e do de trás do que sua própria altura.
Aos turistas
Se o auge do perigoso romantismo míope prenuncia quedas no abismo da literatura séria triste, o outro lado do mirante proporciona a visão panorâmica dos rios, não veias ou nervos, da solidão, não ilha, da vida, não mar, dos não-habitantes, mas impulsos que se encontram (e se perdem) na Cidade Portuária Paixão, onde as casas e roupas são um inútil proteger-se de ladrões de beijos nos becos sem saída ou fuga dos cães vira-latas sem coleira - instinto que os veículos inventados atropelam por ou sem querer ceder às quaisquer ruas que sempre terminam no mar.
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